| — | Clarice Lispector. |
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“Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia,
mas posso ser solidão. Tranquilidade e inconstante, pedra e coração. Sou
abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiçosa e sonolenta.
Música alta e silêncio. Serei o que tu quiseres, mas só quando eu
quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apegada pelo o
que vale a pena e desapego pelo que não quer valer a pena… Suponho que
entender-me não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar
em contato… Ou toca, ou não toca.”
Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um
último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não
obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor
será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram.
Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às
vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada
damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma
surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor
concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem
melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para
conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho…o de mais nada
fazer. (Clarisse Lispector)
“Antes de julgar a minha vida ou o meu caráter…
calce os meus sapatos e percorra o caminho que eu percorri, viva as
minhas tristezas, as minhas dúvidas e as minhas alegrias. Percorra os
anos que eu percorri, tropece onde eu tropecei e levante-se assim como
eu fiz. E então, só aí poderás julgar. Cada um tem a sua própria
história. Não compare a sua vida com a dos outros. Você não sabe como
foi o caminho que eles tiveram que trilhar na vida.”
| — | Clarice Lispector |
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